quarta-feira, 18 de julho de 2012

O QUE MUDOU NA RELAÇÃO HOMEM x MULHER?


Há décadas que o comportamento feminino vem sofrendo mudanças. Graças a Revolução Industrial, aos movimentos feministas e sufragistas, Simone de Beauvoir, sutiãs na fogueira e tudo o mais, nós, mulheres contemporâneas ocidentais, podemos gozar da total liberdade do ser. 

É certo que toda ação gera uma reação e, assim sendo, o reflexo de toda essa mudança em nossas vidas cotidianas é tanto positiva quanto negativa. Se, por um lado, conquistamos o direito de sermos quem quisermos, por outro, perdemos um pouco de nossa doçura feminina.

Que nossa transformação incide diretamente no comportamento masculino, nós já sabemos.  Mas até que ponto essas mudanças atingem também os nossos relacionamentos?

Conversas com amigas, reuniões familiares e chopps despretensiosos pelos botecos afora apontam para uma perspectiva deveras conhecida por nós: Homens não sabem lidar com mulheres poderosas.

Sim, mulheres poderosas são atraentes, são inteligentes. O poder é sedutor e a inteligência pode ser muito sexy. Então por que é tão difícil iniciar ou manter uma relação quando somos ou nos tornamos "poderosas"?









Um grande amigo me confidenciou, com toda sua cultura e inteligência, que não há nada mais agradável para um homem do que chegar em casa, depois de um longo dia lá fora, e encontrar sua mulherzinha de braços abertos e cheios de saudades, com nada na cabeça além de seu amor. Isso, segundo ele, o faz sentir acolhido, apreciado, amado.

Após me recompor de um princípio de ira feminista, entendi que toda essa mudança no universo feminino é sim, difícil para eles também. Ora, o ser masculino é, por natureza, o provedor. Há muitos séculos é ele quem corre atrás do pão-nosso-de-cada-dia e esse tipo de informação, já inserida nas mentes humanas desde sempre, demora para se dissolver. Então, talvez, a questão não seja simplesmente de os homens terem medo de mulheres poderosas, como escutamos e repetimos por aí, mas sim de os homens não gostarem de lidar com elas. Muitas vezes, nem sabem o por que.

Essa coisa de matar um leão por dia, de tomar várias decisões importantes, gerenciar negócios e pessoas, admitir e despedir, fazer negócios e lidar constantemente com homens de negócios, nos faz grande profissionais, donas de currículos invejáveis. No entanto, ao longo desse percurso, somos obrigadas a nos desfazer de nossa doçura, de nossa meiguice, porque o mundo dos negócios não respeita isso. Depois de alguns anos, se não tomamos cuidado, nos tornamos homens de negócios de saia.




Infelizmente, não há uma receita de bolo para conseguirmos chupar cana e assobiar. Mais infelizmente ainda, não dá para sermos tudo e todas que gostaríamos de ser. Às vezes, uma escolha, necessariamente, exclui a outra possibilidade. Aí começa aquela enxurrada de dicas e livros e textos nos ensinando a relaxar e a buscar a sedutora que existe dentro de nós, ou a tapar o sol com a peneira e aprender a fazer um jantar chique e intimista, depois de um longo dia de trabalho, colocar as crianças na cama, se embrulhar para presente, ser agradável, descontraída e sexy e, como sobremesa, fazer amor deliciosamente pelos cantos mais inusitados da casa. A mulher que escolheu ser poderosa pode até fazer isso sim, mas certamente não conseguirá manter esse ritmo constante. É inviável.

No final dessa história toda, nós, mulheres, lutamos e conquistamos nosso espaço. Vimos que podíamos mais e nos perguntamos: Por que não? Fomos à luta, adquirimos conhecimentos técnicos, continuamos seguindo em frente. Nos tornamos empreendedoras, diretoras, presidentes. Vimos que somos boas no que fazemos e que o poder combina com a gente. Trabalhamos muito e, quando paramos por um segundo, nos sentimos culpadas por não conseguir estar mais presente na vida dos filhos, por já não ser aquela mulher pela qual ele se apaixonou, por estar sempre cansada, por não ser mais tão sorridente e espontânea. 

A conclusão a que chego é que não deve haver culpa. É necessária a consciência de que não dá para fazer todas as coisas muito bem feitas. Se priorizamos nosso trabalho, nossos filhos não serão priorizados. Se priorizamos nossas relações familiares, nossa vida profissional não será priorizada. Simples assim. Não adianta mesmo querer abraçar o mundo, porque ele vai escapulir e sair quicando feito uma bola. Então, façamos nossas escolhas, conscientes, e sejamos felizes com elas! 





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